1139–1185
Afonso I
Afonso Henriques
«o Conquistador»
O primeiro rei. Foi à guerra contra a mãe, chamou-se rei depois de Ourique e tomou Lisboa em 1147.
De Afonso Henriques a D. Manuel II: 771 anos, quatro dinastias e uma árvore com mais ramos tortos do que parece.
Uma dinastia é uma família no trono. Enquanto a coroa passa de pai para filho — ou para um irmão, uma filha, um primo —, a dinastia continua. Quando a coroa salta para outra família, começa uma nova. Portugal teve quatro.
Em cada rei, o traço que o liga ao anterior diz o parentesco. Os que estão a tracejado são reinados contestados: houve quem os aclamasse, mas a maioria dos historiadores não os conta.
Os descendentes do conde D. Henrique, um cavaleiro da Borgonha, e de D. Teresa. Fizeram o reino e fecharam-lhe o mapa.
1139–1185
Afonso Henriques
«o Conquistador»
O primeiro rei. Foi à guerra contra a mãe, chamou-se rei depois de Ourique e tomou Lisboa em 1147.
1185–1211
«o Povoador»
Povoou o interior: fundou a Guarda em 1199 e deu forais a muitas vilas. Tomou Silves com cruzados em 1189.
1211–1223
«o Gordo (tradição)»
Fez testamento em português em 1214 — o mais antigo documento de um rei na nossa língua que chegou até nós.
1223–1248
«o Capelo»
Rei com uns treze anos, conquistou meio Alentejo — e em 1245 o Papa entregou o governo ao irmão.
1248–1279
conde de Bolonha
Afastou o irmão, chegou a Faro em 1249 e fechou o mapa: com ele, «rei de Portugal e do Algarve» passou a ser título para ficar.
1279–1325
«o Lavrador»
Criou em 1290 o Estudo Geral, a semente da universidade, e acertou a fronteira com Castela em Alcanizes (1297).
1325–1357
«o Bravo»
Lutou na batalha do Salado (1340), reinou no tempo da peste negra e mandou matar Inês de Castro.
1357–1367
«o Justiceiro (ou o Cruel)»
O de Inês de Castro: quando foi rei, mandou executar com crueldade dois dos que a mataram.
1367–1383
«o Formoso»
Três guerras com Castela e leis para pôr a terra a render e os barcos no mar. Morreu deixando só uma filha, casada com o rei de Castela.
1383–1385
Reinado contestado: a historiografia portuguesa não a conta entre os reis.
Proclamada rainha à morte do pai, com a mãe como regente. A revolta de Lisboa e Aljubarrota afastaram-na.
1383–1385: dois anos sem rei certo. Lisboa revolta-se, as cortes de Coimbra escolhem o Mestre de Avis e Aljubarrota decide o resto.
Começa com um filho bastardo que era mestre de uma ordem militar e acaba com um cardeal sem filhos. Pelo meio, Ceuta, Tordesilhas e o caminho para a Índia.
1385–1433
Mestre de Avis
«o de Boa Memória»
Ganhou Aljubarrota com Nuno Álvares e os ingleses, e depois foi conquistar Ceuta (1415).
1433–1438
«o Eloquente»
O rei que escrevia livros. O ataque a Tânger falhou e o irmão, o infante D. Fernando, morreu cativo.
1438–1481
«o Africano»
Rei aos seis anos. Conquistou praças no Norte de África e ainda quis ser rei de Castela.
1481–1495
«o Príncipe Perfeito»
Negociou o Tratado de Tordesilhas (1494), que dividiu o mundo por descobrir com Castela.
1495–1521
«o Venturoso»
No reinado dele Vasco da Gama chegou à Índia por mar (1498).
1521–1557
«o Piedoso»
Deixou entrar a Inquisição em Portugal (1536).
1557–1578
«o Desejado»
Rei aos três anos. Morreu — ou desapareceu — em Alcácer Quibir, sem filhos, e o país ficou sem herdeiro.
1578–1580
o Cardeal-Rei
Cardeal e inquisidor-mor, chegou a rei aos 66 anos e morreu dois anos depois sem deixar sucessor.
1580
Prior do Crato
Contestado: a maioria dos historiadores não o conta como rei.
Aclamado rei pelos seus em 1580, perdeu em Alcântara e ainda tentou a sorte nos Açores, onde a frota dele foi desfeita em 1582.
1580: Filipe II de Espanha, neto de D. Manuel I pela mãe, herda a coroa — e entra com um exército para a segurar.
Três reis de Espanha que também foram reis de Portugal. O reino continuou separado — foi o que Filipe I jurou em Tomar —, mas o rei vivia em Espanha.
1581–1598
Filipe II de Espanha
«o Prudente»
Herdou pela mãe portuguesa e, nas cortes de Tomar (1581), jurou governar Portugal como reino à parte.
1598–1621
Filipe III de Espanha
Deixou quase todo o poder nas mãos do seu valido, o duque de Lerma.
1621–1640
Filipe IV de Espanha
Era o rei quando Portugal se revoltou, em 1640, e voltou a ter rei próprio. Viveu até 1665 sem o aceitar.
1 de dezembro de 1640: um grupo de nobres revolta-se em Lisboa e aclama o duque de Bragança. Espanha só reconhece a independência em 1668.
Os duques de Bragança, descendentes de D. Manuel I. Restauraram a independência, fugiram para o Brasil, fizeram uma guerra civil entre irmãos e acabaram com um rei de vinte anos no exílio.
1640–1656
duque de Bragança
«o Restaurador»
O duque feito rei em 1640: com ele Portugal voltou a ter rei próprio.
1656–1683
«o Vitorioso»
No reinado dele Espanha reconheceu a independência (1668) — mas o irmão tirou-lhe o poder e casou com a mulher dele.
1683–1706
«o Pacífico»
Governou como regente no lugar do irmão a partir de 1668, casou com a ex-cunhada e só foi rei quando o irmão morreu.
1706–1750
O ouro do Brasil encheu-lhe os cofres, e ele gastou-o em grande — com o convento de Mafra à cabeça.
1750–1777
O rei do terramoto de 1755. Depois disso, não quis voltar a viver entre paredes de pedra.
1777–1816
Reinou quase quarenta anos, mas a doença mental pôs o filho a governar por ela; morreu no Rio de Janeiro.
1816–1826
Fugiu de Napoleão em 1807 e levou a corte para o Brasil: durante anos, o Rio de Janeiro foi, na prática, a capital.
1826
Pedro I do Brasil
Rei de Portugal só dois meses: já era imperador do Brasil e abdicou na filha, de sete anos.
1826–1853
Rainha aos sete anos, afastada pelo tio em 1828, de volta em 1834 depois da guerra civil. Morreu de parto aos 34 anos.
1828–1834
Contestado: reinou de facto entre 1828 e 1834, mas os liberais chamavam-lhe usurpador e, em Évora-Monte, teve de renunciar ao trono e partir para o exílio.
Veio como regente da sobrinha e fez-se rei absoluto. Acabou em guerra civil com o irmão e em 32 anos de exílio.
1853–1861
«o Esperançoso»
Rei aos 16 anos, viúvo pouco depois, morto aos 24 de uma epidemia — febre tifoide ou cólera, as fontes não batem certo.
1861–1889
Não era para ser rei: chegou ao trono porque o irmão morreu novo e sem filhos.
1889–1908
Morto a tiro em Lisboa, a 1 de fevereiro de 1908, numa carruagem aberta, com o filho mais velho.
1908–1910
Rei aos 18 anos, depois de o pai e o irmão serem mortos a tiro. Dois anos depois, a República mandou-o para o exílio.
5 de outubro de 1910: a República. Manuel II morreu no exílio, em Inglaterra, em 1932. Portugal nunca mais teve rei.
Mostramos só os anos de cada reinado: os dias exatos nem sempre batem certo de uma fonte para outra. Atenção também às alcunhas — nem todas são do tempo do rei; a de Afonso II, «o Gordo», por exemplo, é tradição. Só pomos as que encontrámos nas fontes abaixo.
Os retratos de Afonso Henriques a Filipe II foram gravados por Pedro Perret em 1603 — para quase todos, séculos depois de terem morrido; são, por isso, imaginados. Os de Filipe III a D. Luís vêm de uma coleção de litografias do século XIX; os de D. Carlos e D. Manuel II são fotografias. Passámo-los todos a gravura, para ficarem da mesma família.